Capítulo 2. De volta ao Hospital
Deitado no chão, ele entreabriu os olhos. Os dedos do Sol estavam agora mais abertos e ele cerrou o olhar. Sangue quente escorria-lhe pela face e ele pensou que continuava em paz independentemente das dores que começava a sentir.
Ouvia-se uma mulher a chorar muito.
O ruído anónimo das pessoas.
Os paramédicos à sua volta.
Confusão.
Porém… a paz.
"Que estranho, como é que não ouço nada, se estou rodeado de gente?", pensou, enquanto o som do choro foi diminuindo cada vez mais, até deixar de ser perceptível aos sentidos. Mas a paz vinha especialmente daquele olhar cor de mel, que se fixava em mim, e me percorria com as suas mãos agitadas, como se buscasse algo, ou tentasse impedir que algo fugisse.
“Que seria?”, pensei confuso, e mais confuso estava quando me observava no olhar translúcido daquela face límpida de sentires, mas franzina de preocupações. Será que me deveria preocupar-me também?
Seus sentidos foram-se deixando ir aos poucos, e o que outrora lhe parecia a luz de um Sol, não passava de uma maravilhosa Lua que iluminava o quarto onde seu corpo serenava agora num profundo sono. O sonho havia-se desvanecido, e na memória sobravam agora restos da lembrança de um olhar cor de mel.
As pessoas olhavam à sua volta... aquela mulher que não parava de chorar... e eu não conseguia dizer-lhe: porque choras? Este não é o fim... quanto muito pode vir a ser apenas o principio...
Finalmente o Princípio!
Mas qual Principio?
- Deixa-te de coisas, pensou enquanto se olhava do único modo que lhe era possível, e deixando transparecer (ainda que por breves instantes) na face um leve esgar, que não sabia se era devido às dores que começava a sentir com maior intensidade, se à contemplação do "belo espectáculo" em que o seu corpo estava transformado, em virtude da panóplia de ligaduras e demais aparato clínico usual nestas situações, mas que não deixa contudo de inspirar um certo temor, principalmente a quem é objecto de tais "atenções".
Transportaram-no de volta para as Urgências.
Começava a sentir alguma "simpatia" pelo local.
Fizeram-lhe um monte de exames, e constataram (para alegria sua), que além de umas (demais) feridas necessitadas de uns "pontinhos", um braço que para se manter firme requeria uma "moldura de gesso, e uma perna a necessitar de uma "bota" do mesmo material, a coisa estava "fina". Nada que requeresse demasiados cuidados.
Até iria ser agradável, ter as pessoas a disporem-se a fazer algumas coisas.
Sorriu. Um sorriso "maroto".
Pediu o favor de lhe chamarem um táxi. Não iria cair no mesmo erro.
Só sabia que queria sair e ir ao encontro da vida.
Estava diferente... não era a mesma pessoa. E por isso mesmo, queria dar uma nova oportunidade a si mesmo.
Ainda que o seu corpo lhe doesse, ele experimentava algo dentro dele que ultrapassava essa dor.
Pensava em chegar a casa e voltar a sentir aquele cheiro tão familiar.
Queria abrir as janelas todas e deixar a luz entrar por toda a casa. Não voltaria a ter as janelas fechadas. Não! A partir de agora, ele iria deixar que os dedos do sol entrassem em toda a sua vida. Até na sua casa...
O táxi chegou.
Péssima a sensação de não conseguir levantar-se sozinho e andar para o carro. Nas Urgências, a porta tinha-se fechado para si. O taxista olhou-o com cara de poucos amigos, como se pensasse: "Só me saem é duques!"
Lá se resolveu a sair do carro e a ajudá-lo a entrar. Empurrão daqui, puxão dacolá, instalou-se finalmente no banco, a seu lado crescido o monte de papéis, exames, conclusões médicas.
Estranha a saída pelo mesmo portão do mesmo hospital, dez horas mais tarde e muito mais dores no corpo. E também menos vontade para filosofar.
- Para onde? – Inquiriu o taxista.
- Rua da Luz. – Respondi. Ele meneou a cabeça como que conhecendo o lugar.
Percorremos as ruas sinuosas e movimentadas da Cidade, num silêncio gelado e incomodativo, característico de alguns táxis. O céu estava menos azul e umas pequenas nuvens começavam a tapar o Sol de Inverno.
- Ainda há pouco estava um solzinho tão bom. – Resmungou o taxista. Acenei com a cabeça e encolhi os ombros com aquele sorriso de quem não sabe muito bem o que dizer.
Nos passeios da Cidade, as pessoas corriam apressadas. Pareciam-me todas diferentes agora. Parece que aquele ódio e rancor de outrora tinha-se desvanecido. Os últimos acontecimentos no Hospital tinham também mudado a minha forma de olhar as pessoas.
Estávamos quase a chegar a casa da minha irmã Júlia quando começou a chover. Chuva miudinha. Senti um arrepio, não sei se de frio, se de medo.
O resto do percurso decorreu sem incidentes (e ainda bem que assim foi). Ao chegar ao meu destino, voltei de novo a solicitar a preciosa "ajuda" do "simpático" motorista, que "prontamente" me ajudou, não sem antes me "premiar" com a "declamação" qualquer coisa entre dentes, que embora eu não entendesse de todo, julgo agora, e depois de pensar maduramente sobre a questão, ser algo de conteúdo "poético", talvez mesmo os Lusíadas.
Assim, e logo que me ajudou a sair do carro, e visto que a corrida estava paga, fez o favor de colocar todos os papéis que me acompanhavam, na soleira da porta do prédio onde habitava a Júlia, sem que parecesse incomodar-se com o facto dos mesmos ficarem encharcados, evitando (e penso sinceramente que foi essa a sua única intenção) contudo que voassem, em virtude do vento que inesperadamente tinha começado a soprar, o que seria um perfeito desastre, devido como se entende à minha incapacidade recolhê-los.
Decidido a tentar conseguir finalmente descansar um pouco, e antes que algo mais me acontecesse, decidi tentar chegar a casa pelos meus próprios meios, custasse o que custasse.
Assim, e do modo que me foi possível, arrastei-me escadas a cima. Também eram somente três andares. Ao chegar bati um pouco (admito) desesperadamente
à porta, mas como não fosse atendido ao fim de cinco minutos, decidi eu mesmo tentar abrir a mesma. A chave estaria de certeza em algum bolso.
E estava mesmo.
Entrei, e sem mais demoras dirigi-me para o quarto, abatendo-me sobre a velha cama de ferro.
E penso que adormeci de imediato.
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Ouvia-se uma mulher a chorar muito.
O ruído anónimo das pessoas.
Os paramédicos à sua volta.
Confusão.
Porém… a paz.
"Que estranho, como é que não ouço nada, se estou rodeado de gente?", pensou, enquanto o som do choro foi diminuindo cada vez mais, até deixar de ser perceptível aos sentidos. Mas a paz vinha especialmente daquele olhar cor de mel, que se fixava em mim, e me percorria com as suas mãos agitadas, como se buscasse algo, ou tentasse impedir que algo fugisse.
“Que seria?”, pensei confuso, e mais confuso estava quando me observava no olhar translúcido daquela face límpida de sentires, mas franzina de preocupações. Será que me deveria preocupar-me também?
Seus sentidos foram-se deixando ir aos poucos, e o que outrora lhe parecia a luz de um Sol, não passava de uma maravilhosa Lua que iluminava o quarto onde seu corpo serenava agora num profundo sono. O sonho havia-se desvanecido, e na memória sobravam agora restos da lembrança de um olhar cor de mel.
As pessoas olhavam à sua volta... aquela mulher que não parava de chorar... e eu não conseguia dizer-lhe: porque choras? Este não é o fim... quanto muito pode vir a ser apenas o principio...
Finalmente o Princípio!
Mas qual Principio?
- Deixa-te de coisas, pensou enquanto se olhava do único modo que lhe era possível, e deixando transparecer (ainda que por breves instantes) na face um leve esgar, que não sabia se era devido às dores que começava a sentir com maior intensidade, se à contemplação do "belo espectáculo" em que o seu corpo estava transformado, em virtude da panóplia de ligaduras e demais aparato clínico usual nestas situações, mas que não deixa contudo de inspirar um certo temor, principalmente a quem é objecto de tais "atenções".
Transportaram-no de volta para as Urgências.
Começava a sentir alguma "simpatia" pelo local.
Fizeram-lhe um monte de exames, e constataram (para alegria sua), que além de umas (demais) feridas necessitadas de uns "pontinhos", um braço que para se manter firme requeria uma "moldura de gesso, e uma perna a necessitar de uma "bota" do mesmo material, a coisa estava "fina". Nada que requeresse demasiados cuidados.
Até iria ser agradável, ter as pessoas a disporem-se a fazer algumas coisas.
Sorriu. Um sorriso "maroto".
Pediu o favor de lhe chamarem um táxi. Não iria cair no mesmo erro.
Só sabia que queria sair e ir ao encontro da vida.
Estava diferente... não era a mesma pessoa. E por isso mesmo, queria dar uma nova oportunidade a si mesmo.
Ainda que o seu corpo lhe doesse, ele experimentava algo dentro dele que ultrapassava essa dor.
Pensava em chegar a casa e voltar a sentir aquele cheiro tão familiar.
Queria abrir as janelas todas e deixar a luz entrar por toda a casa. Não voltaria a ter as janelas fechadas. Não! A partir de agora, ele iria deixar que os dedos do sol entrassem em toda a sua vida. Até na sua casa...
O táxi chegou.
Péssima a sensação de não conseguir levantar-se sozinho e andar para o carro. Nas Urgências, a porta tinha-se fechado para si. O taxista olhou-o com cara de poucos amigos, como se pensasse: "Só me saem é duques!"
Lá se resolveu a sair do carro e a ajudá-lo a entrar. Empurrão daqui, puxão dacolá, instalou-se finalmente no banco, a seu lado crescido o monte de papéis, exames, conclusões médicas.
Estranha a saída pelo mesmo portão do mesmo hospital, dez horas mais tarde e muito mais dores no corpo. E também menos vontade para filosofar.
- Para onde? – Inquiriu o taxista.
- Rua da Luz. – Respondi. Ele meneou a cabeça como que conhecendo o lugar.
Percorremos as ruas sinuosas e movimentadas da Cidade, num silêncio gelado e incomodativo, característico de alguns táxis. O céu estava menos azul e umas pequenas nuvens começavam a tapar o Sol de Inverno.
- Ainda há pouco estava um solzinho tão bom. – Resmungou o taxista. Acenei com a cabeça e encolhi os ombros com aquele sorriso de quem não sabe muito bem o que dizer.
Nos passeios da Cidade, as pessoas corriam apressadas. Pareciam-me todas diferentes agora. Parece que aquele ódio e rancor de outrora tinha-se desvanecido. Os últimos acontecimentos no Hospital tinham também mudado a minha forma de olhar as pessoas.
Estávamos quase a chegar a casa da minha irmã Júlia quando começou a chover. Chuva miudinha. Senti um arrepio, não sei se de frio, se de medo.
O resto do percurso decorreu sem incidentes (e ainda bem que assim foi). Ao chegar ao meu destino, voltei de novo a solicitar a preciosa "ajuda" do "simpático" motorista, que "prontamente" me ajudou, não sem antes me "premiar" com a "declamação" qualquer coisa entre dentes, que embora eu não entendesse de todo, julgo agora, e depois de pensar maduramente sobre a questão, ser algo de conteúdo "poético", talvez mesmo os Lusíadas.
Assim, e logo que me ajudou a sair do carro, e visto que a corrida estava paga, fez o favor de colocar todos os papéis que me acompanhavam, na soleira da porta do prédio onde habitava a Júlia, sem que parecesse incomodar-se com o facto dos mesmos ficarem encharcados, evitando (e penso sinceramente que foi essa a sua única intenção) contudo que voassem, em virtude do vento que inesperadamente tinha começado a soprar, o que seria um perfeito desastre, devido como se entende à minha incapacidade recolhê-los.
Decidido a tentar conseguir finalmente descansar um pouco, e antes que algo mais me acontecesse, decidi tentar chegar a casa pelos meus próprios meios, custasse o que custasse.
Assim, e do modo que me foi possível, arrastei-me escadas a cima. Também eram somente três andares. Ao chegar bati um pouco (admito) desesperadamente
à porta, mas como não fosse atendido ao fim de cinco minutos, decidi eu mesmo tentar abrir a mesma. A chave estaria de certeza em algum bolso.
E estava mesmo.
Entrei, e sem mais demoras dirigi-me para o quarto, abatendo-me sobre a velha cama de ferro.
E penso que adormeci de imediato.

11 Comments:
As pessoas olhavam à sua volta... aquela mulher que não parava de chorar... e eu não conseguia dizer-lhe: porque choras? Este não é o fim... quanto muito pode vir a ser apenas o principio...
finalmente o Princípio!
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Mas qual Principio?
- Deixa-te de coisas,pensou enquanto se olhava do unico modo que lhe era possivel, e deixando transparecer (ainda que por breves instantes)na face um leve esgar, que não sabia se era devido às dores que começava a sentir com maior intensidade, se à contemplação do "belo espectáculo" em que o seu corpo estava transformado, em virtude da panóplia de ligaduras e demais aparato clinico usual nestas situações, mas que não deixa contudo de inspirar um certo temor, principalmente a quem é objecto de tais "atenções".
Transportaram-no de volta para as Urgências.
Começava a sentir alguma "simpatia" pelo local.
Fizeram-lhe um monte de exames, e constataram (para alegria sua), que além de umas (demais) feridas necessitadas de uns "pontinhos", um braço que para se manter firme requeria uma "moldura de gesso, e uma perna a necessitar de uma "bota" do mesmo material, a coisa estava "fina". Nada que requeresse demasiados cuidados.
Até iria ser agradável, ter as pessoas a disporem-se a fazer algumas coisas.
Sorriu. Um sorriso "maroto".
Pediu o favor de lhe chamarem um táxi. Não iria cair no mesmo erro.
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Só sabia que queria sair e ir ao encontro da vida.
Estava diferente ... não era a mesma pessoa. E por isso mesmo, queria dar uma nova chance a si mesmo.
Ainda que o seu corpo lhe doesse, ele experimentava algo dentro dele que ultrapassava essa dor.
Pensava em chegar a casa e voltar a sentir aquele cheiro tão familiar.
Queria abrir as janelas todas e deixar a luz entrar por toda a casa. Não voltaria a ter as janelas fechadas. Não! A partir de agora, ele iria deixar que os dedos do sol entrassem em toda a sua vida. Até na sua casa...
O taxi chegou.
Péssima a sensação de não conseguir levanter-se sozinho e andar para o carro. Nas Urgências, a porta tinha-se fechado para si. O taxista olhou-o com cara de poucos amigos, como se pensasse: "Só me saem é duques!"
Lá se resolveu a sair do carro e a ajudá-lo a entrar. Empurrão daqui, puxão dacolá, instalou-se finalmente no banco, a seu lado crescido o monte de papéis, exames, conclusões médicas.
Estranha a saída pelo mesmo portão do mesmo hospital, dez horas mais tarde e muito mais dores no corpo. E também menos vontade para filosofar.
- Para onde? – Inquiriu o taxista.
- Rua da Luz. – Respondi. Ele meneou a cabeça como que conhecendo o lugar.
Percorremos as ruas sinuosas e movimentadas da Cidade, num silêncio gelado e incomodativo, característico de alguns táxis. O céu estava menos azul e umas pequenas nuvens começavam a tapar o Sol de Inverno.
- Ainda há pouco estava um solzinho tão bom. – Resmungou o taxista. Acenei com a cabeça e encolhi os ombros com aquele sorriso de quem não sabe muito bem o que dizer.
Nos passeios da Cidade, as pessoas corriam apressadas. Pareciam-me todas diferentes agora. Parece que aquele ódio e rancor de outrora tinha-se desvanecido. Os últimos acontecimentos no Hospital tinham também mudado a minha forma de olhar as pessoas.
Estávamos quase a chegar a casa da minha irmã Júlia quando começou a chover. Chuva miudinha. Senti um arrepio, não sei se de frio, se de medo.
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
O resto do percurso decorreu sem incidentes (e ainda bem que assim foi). Ao chegar ao meu destino, voltei de novo a solicitar a preciosa "ajuda" do "simpático" motorista, que "prontamente" me ajudou, não sem antes me "premiar" com a "declamação" qualquer coisa entre dentes, que embora eu não entendesse de todo, julgo agora, e depois de pensar maduramente sobre a questão, ser algo de conteúdo "poético", talvez mesmo os Lusíadas.
Assim, e logo que me ajudou a sair do carro, e visto que a corrida estava paga, fez o favor de colocar todos os pápeis que me acompanhavam, na soleira da porta do prédio onde habitava a Júlia, sem que parecesse imcomodar-se com o facto dos mesmos ficarem encharcados, evitando (e penso sinceramente que foi essa a sua única intenção) contudo que voassem, em virtude do vento que inesperadamente tinha começado a soprar, o que seria um perfeito desastre, devido como se entende à minha incapacidade recolhê-los.
Decidido a tentar conseguir finalmente descansar um pouco, e antes que algo mais me acontecesse, decidi tentar chegar a casa pelos meus próprios meios, custasse o que custasse.
Assim, e do modo que me foi possivel, arrastei-me escadas a cima. Também eram somente três andares. Ao chegar bati um pouco (admito) desesperadamente
à porta, mas como não fosse atendido ao fim de cinco minutos, decidi eu mesmo tentar abrir a mesma. A chave estaria de certeza em algum bolso.
E estava mesmo.
Entrei, e sem mais demoras dirigi-me para o quarto, abatendo-me sobre a velha cama de ferro.
E penso que adormeci de imediato.
Que estranho, como não ouço nada, se estou rodeado de gente, pensou, enquanto o som do choro foi diminuindo cada vez mais, até deixar de ser perceptível aos sentidos. Mas a paz vinha especialmente daquele olhar cor de mel, que se fixava em mim, e me percorria com suas não agitadas como se buscasse algo, ou tentasse impedir que algo fugisse. Que seria, pensei confuso, e mais confuso estava quando me observava no olhar translúcido daquela face límpida de sentires, mas franzina de preocupações. Será que me deveria preocupar eu também…
Seus sentidos foram-se deixando ir aos poucos, e o que outrora lhe parecia a luz de um Sol, não passava de uma maravilhosa Lua que iluminava o quarto onde seu corpo serenava agora num profundo sono. O sonho havia-se desvanecido, e na memória sobravam agora restos da lembrança de um olhar cor de mel.
Acordou pela manhã, sentindo-se algo perdido.Ouvia o riso de crianças, e lembrou-se dos sobrinhos. Júlia, abre a porta do quarto, espreitando ansiosa, tentando manter as crianças caladas, mas em vão.Pergunta, com um sorriso doce:
-Já acordaste?Precisas de algo?
Ele sorri também, ainda cansado, fazendo uma careta, ao tentar levantar-se.
-Deixa-te estar, mais um pouco-Diz a irmã-Trago-te aqui o pequeno almoço!
Nisto, os sobrinhos, impacientes pedem para ver o tio.A mãe tenta impedir, mas ele diz para os deixar entrar, ao que eles obedecem de bom grado.
Entram no quarto, e sossegam miraculosamente, olhando com ternura o tio querido.Aproximam-se da cama de ferro, beijam o tio, e um dos meninos, diz:
-Sabes tio, gostamos tanto de ti! Vamos estar sempre aqui, para te amar e dar força! Tens que ficar bom, par poderes dar-nos a tua mão, e brincar connosco, como antes!
Ele olhou aqueles rostinhos ansiosos, e achou que ali estava uma boa razão, para recomeçar...
Olhou para a janela, o sol brilhava e um prdalito saltitava no parapeito...
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