Capítulo 5. A Ria Formosa

Quando Armando saiu do comboio em Faro viu logo Diogo que o aguardava na estação. Diogo era um jovem bonito e magro. Cabelo meio acastanhado e de estatura não muito alta. Por esta altura devia ter os seus vinte e oito anos e estava casado não fazia muito tempo. Talvez uns três anos ou até menos. A sua amizade desinteressada, o humor refinado e o facto de terem estudado juntos aproximaram muito os dois amigos desde longa data.
- Sejas muito bem-vindo aos “Algarves”, amigo Arménio! - exclamou Diogo com alegria, recebendo-o com um abraço forte e caloroso.
- Armando, Diogo, Armando! Que mania tens de me chamar “Arménio”! Eu sou Armando, HOMEM DE GUERRRA! percebeste?
Diogo quase se deitou ao chão de tanto rir. Armando continuava na mesma, desde miúdo que se picava, sempre que lhe trocavam os nomes. Tinha apostado com a irmã que ao encontrar Armando, ia-lhe trocar o nome e ele ficaria furioso...
- Dez euritos já cá cantam, "moç", bem podes começar a abrir a carteirinha - pensou Diogo enquanto ria à gargalhada. Armando olhava para ele meio aparvalhado.
- Continuas o mesmo brincalhão de sempre, Diogo! Tu e a tua irmã!
- Sempre! Mesmo depois do que sucedeu com a Natalina...não perdi a alegria!
- Como assim? O que sucedeu com ela?
- Eu não te contei... queria esperar o momento certo e olha, talvez seja este o momento, até porque não tenho outra alternativa. Vais ter de a ver mesmo!
- O que aconteceu com ela?
- Eu conto-te pelo caminho.
Caminharam para o carro de Diogo e Armando estava deveras curioso e preocupado.
- Ela teve um acidente, grave. Ficou paralisada da cintura para baixo e claro... podes perceber que ela mudou muito.
- A Natalina? - pensava Armando. Nem conseguia falar.
Chegaram a casa.
Sofia, a esposa de Diogo ainda não estava.
- Anda, vamos ver a Natalina, disse Diogo.
Enquanto subiam as escadas para o andar superior, Armando pensou nos bons momentos que ali passou...sorriu!
Esse sorriso logo desapareceu quando entrou no quarto de Natalina. A pessoa que se encontrava na cama não podia ser ela. Uma pessoa envelhecida, com mais peso. Não podia ser ela. No mesmo instante, os seus olhos também se cruzaram com o rosto da pessoa que se encontrava sentada na beira da cama de Natalina. Aqueles olhos. Já os tinha visto. Sentiu-se estremecer.
Eram, tal como os recordava, uns belos olhos «cor de mel».
Aliás, jamais tinham deixado de o ser. Mas aquilo que o fez estremecer, não foi de modo algum a visão daqueles belos olhos, mas tão somente o choque provocado pela constatação de algo para que ele se havia tentado preparar (sem sucesso, constatava-o neste momento), de modo a não tornar mais constrangedor o reencontro com alguém por quem nutria uma bela amizade e simpatia, e que já não via à anos, sendo que a vida, essa mesma vida que nos impele a correr, se tinha encarregado de transformar essa pessoa em pouco mais que… O melhor seria parar com a avalanche de pensamentos, que o levariam certamente a conclusões ditadas somente pela angústia e pelo choque da descoberta, e impediriam uma correcta aproximação daquela pessoa que além de amiga, era sobretudo neste momento alguém muito amargurado e necessitando de muitíssima compreensão, dispensando só por isso qualquer sentimento de repulsa.
Contou mentalmente até cinco e avançou esboçando, tentando, o maior e mais sincero sorriso que lhe foi possível naquele instante descobrir em si mesmo.
-Olá! – disse ele - Como estás ?
Recebeu como resposta um:
-Não vês como vou? Aqui enfiada nesta maldita cama sem me poder mexer para lado nenhum. Mais valia que tivesse morrido naquele maldito acidente. Também não vai fazer diferença nenhuma, porque certamente não irei durar muito, e se vir que isto se prolonga, arranjarei maneira de encurtar o sofrimento. Vais ver.
- Então? – inquiriu Armando, trocando rapidamente um olhar cúmplice com Diogo. - Também não é o fim do mundo. A Ciência hoje está sempre com novas descobertas, e certamente algo se descobrirá que possa melhorar o teu actual estado, e proporcionar-te uma melhor qualidade de vida.
Ao proferir estas palavras, olhou de novo para Diogo que parecia estar a ficar com uma cara esquisita de todo. Natalina estava desolada e revoltada. Demoraram-se mais um pouco e saíram educadamente.
Viraram costas para sair do quarto. Enquanto desciam as escadas, ouviram um estrondo vindo do andar de cima. Subiram as escadas rapidamente e quando entraram no quarto de Natalina, viram-na caída no chão.
Diogo encolheu os ombros e suspirou. De seguida e como que num desabafo disse:
- Isto assim não pode continuar. Vou mesmo ter de a internar, até porque em casa não lhe consigo prestar a assistência de que ela necessita. Sabes Armando - continuou - tenho feito das tripas coração para conseguir manter esta situação, colocando-me sempre no lugar dela e tentando perceber a revolta que ela sente. Desde algum tempo para cá, a minha mulher tem-se inclusive estado algo distante, e a nossa relação está a entrar numa fase descendente, e isso de modo algum pode acontecer. Prezo demasiado o meu casamento, e sinto que devo fazer algo.
Amanhã mesmo começarei a indagar de por uma boa casa de repouso onde a Natalina possa ficar. Dinheiro não constituirá de modo algum problema. Interessará acima de tudo o bem-estar dela e a nossa estabilidade enquanto casal.
Dizendo isto, pediu a Armando que o auxiliasse de modo a recolocar Natalina no leito. Deu-lhe um beijo na face, e disse:
- Descansa.
Depois disso e sem mais palavras, saíram do quarto.
- E que tal um passeio até à Ria? - perguntou Armando.
- Boa ideia - respondeu Diogo. - Quando voltarmos passamos pela escola e trazemos a Sofia. Ela está ansiosa por te rever.
Sofia era professora de Educação Física. Armando só a tinha visto três vezes, mas ficou sempre com a impressão de que o seu amigo tinha feito um bom casamento. Saíram e foram até à Ria Formosa....
O passeio foi a todos os títulos maravilhoso.
Ver todo aquele cenário e permanecer impávido, seria certamente a maior prova de insensibilidade que qualquer ser humano estaria capacitado para demonstrar. Tudo era belo, e até os poucos pormenores que não despertavam a atenção ao primeiro olhar, se tornavam importantes pois que mesmo não possuindo uma beleza extrema ou sequer própria, se enquadravam de tal modo na paisagem, que seria de todo descabido conceber essa mesma aguarela paisagística omitindo propositadamente ou não a sua presença. Faziam parte do todo, e esse mesmo todo ficaria incompleto sem a sua existência.
À medida que caminhavam Diogo falava, falava, falava sem cessar explicando variadíssimas facetas e pormenores daquele ambiente que tão bem conhecia. Era assim mesmo com tudo aquilo que gostava. Sempre fora assim. Na escola, no curso que decidira fazer, na mulher que encontrara para companheira, e nas paixões que preenchiam os seus (poucos) momentos de lazer. Diogo era uma pessoa apaixonada pela vida. Fora sem duvida essa sensibilidade que os tinha aproximado ainda muito jovens. As suas experiências pessoais detinham entre si um denominador comum que era a paixão por tudo aquilo que amavam. Eram ambos pessoas que perseguiam os seus sonhos por muito utópicos que esses mesmos sonhos se apresentassem no presente. O futuro pertencia-lhes, e com ele a força necessária para lutar por aquilo que consideravam não só belo, mas sobretudo justo. Pelo menos era assim que acreditavam poder ser. Certo que a vida tinha tomado a seu cargo a tarefa de ao longo dos anos ter destruído essa aura de beleza dourada que possuíam na sua juventude inocente, contudo detinham hoje como ontem, a firme convicção de que somente haviam sido acidentes de percurso que em nada afectavam a sua visão imediata e muito menos o todo. Talvez que por isso mesmo ainda hoje, e mercê dos rumos distintos que as suas vidas haviam tomado, jamais a sua amizade sairia afectada, não sendo raro que qualquer um deles a espaços sentisse necessidade de escutar a voz do amigo, sem prejuízo da normal troca de emails que mantinham diariamente. Costumavam dizer em tom de brincadeira que viviam juntamente separados por perto de 300Kms. Não o sendo, eram efectivamente irmãos.
Ao cair da tarde regressaram a casa.
Armando aproveitou, e a pretexto de estar um pouco cansado com a viagem, retirou-se para o seu quarto. Chegado lá atirou-se para cima da cama, e permaneceu com o olhar fixo no tecto branco onde somente uma lâmpada balançava suspensa por um fio que outrora fora branco.
E assim ficou, horas a fio, sem dar conta do tempo passar!
E passaram-se minutos, horas, dias... despertou!
Afinal, foram apenas alguns minutos!
Acordou com uma forte dor aguda no peito. Arregalou os olhos e contorceu-se por causa da dor. Não sabia se era da alma se do corpo. "Ajuda-me Deus!" Rogou Armando.

19 Comments:
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Temos de nos entender se o homem se chama Arménio ou Armando.
Iniciar uma viagem com um Armando e terminar com um Arménio...
Senão começa a anarquia a reinar.
LOL :)))))))
PS: Este comentário é para apagar pelo editor. Somente serve como ponto de situação.
Também estava baralhada Luis!!!! E O Jorge a dar com o Arménio! LOLLLL
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
"-Armando, Diogo, Armando! que mania tens de me chamar Arménio!!!Armando, HOMEM DE GUERRRA! OK?"
Diogo quase se deitou ao chão de tanto rir. Armando continuava na mesma, desde miudo que se picava, sempre que lhe trocavam os nomes. Tinha apostado com a irmã que ao encontrar Armando, ia-lhe trocar o nome e ele ficaria furioso...
"- Dez euritos já cá cantam, "moç", bem podes começar a abrir a carteirinha..." pensou Diogo enquanto ria à gargalhada. Armando olhava para ele meio aparvalhado.
AAHAHAHAHAH
É mesmo ARMANDO pessoal!
Sorry.
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Tinoca,
Foi muito boa essa tua continuação!!! (até tou a chorar de tanto rir, também...)
EHEHEHEHEHHEHEHEH
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
- Continuas o mesmo brincalhão de sempre, Diogo! Tu e a tua irmã!
- Sempre! Mesmo depois do que sucedeu com a Natalina...não perdi a alegria!
- Como assim? O que sucedeu com ela?
- Eu não te contei... queria esperar o momento certo e olha, talvez seja este o momento, até porque não tenho outra alternativa. Vais ter de a ver mesmo!
- O que aconteceu com ela?
- Eu conto-te pelo caminho.
Caminharam para o carro de Diogo e Armando estava deveras curioso e preocupado.
- Ela teve um acidente, grave. Ficou paralisada da cintura para baixo e claro... podes perceber que ela mudou muito.
- A Natalina? - pensava Armando. Nem conseguia falar.
Chegaram a casa.
Sofia, a esposa de Diogo ainda não estava.
- Anda, vamos ver a Natalina, disse Diogo.
Enquanto subiam as escadas para o andar superior, Armando pensou nos bons momentos que ali passou...sorriu!
Esse sorriso logo desapareceu quando entrou no quarto de Natalina.
A pessoa que se encontrava na cama não podia ser ela!!
Uma pessoa envelhecida, com mais peso ... não podia ser ela!
No mesmo instante, os seus olhos também se cruzaram com o rosto da pessoa que se encontrava sentada na beira da cama de Natalina.
Aqueles olhos ... já os tinha visto!
Sentiu-se estremecer...
Eram, tal como os recordava, uns belos olhos «cor de mel».
Aliás,jamais tinham deixado de o ser. Mas aquilo que o fez estremecer, não foi de modo algum a visão daqueles belos olhos, mas tão sómente o choque provocado pela constatação de algo para que ele se havia tentado preparar (sem sucesso, constatava-o neste momento ), de modo a não tornar mais constrangedor o reencontro com alguém por quem nutria uma bela amizade e simpatia, e que já não via à anos, sendo que a vida, essa mesma vida que nos impele a correr,se tinha encarregado de transformar essa pessoa em pouco mais que ....
– preferiu de todo parar por aqui uma avalanche de pensamentos, que o levariam certamente a conclusões ditadas sómente pela angústia e pelo choque da descoberta, e impediriam uma correcta aproximação daquela pessoa que além de amiga, era sobretudo neste momento alguém muito amargurado e necessitando de muitissima compreensão, dispensando só por isso qualquer sentimento de repulsa.
Contou mentalmente até cinco e avançou esboçando ( ou tentando ) o maior e mais sincero sorriso que lhe foi possivel naquele instante descobrir em si mesmo.
-Olá, disse.
-Como estás ?
Recebeu como resposta um,
-Não vês como vou ?
-Aqui enfiada nesta maldita cama sem me poder mexer para lado nenhum.
-Mais valia que tivesse morrido naquele maldito acidente.
-Tambem não vai fazer diferença nenhuma, porque certamente não irei durar muito, e se vir que isto se prolonga, arranjarei maneira de encurtar o sofrimento. Vais ver.
- Então, - respondeu Armando, trocando rapidamente um olhar cumplice com Diogo.
-Também não é o fim do mundo.
-A Ciência hoje está sempre com novas descobertas, e certament algo se descobrirá que possa melhorar o teu actual estado, e proporcionar-te uma melhor qualidade de vida.
Ao proferir estas palavras olhou de novo para Diogo que parecia estar a ficar com uma cara esquisita de todo. Ao mesmo tempo que falava para Natalina interrogava-se o porquê daquela expressão.
Não necessitou de esperar muito tempo para obter a resposta, pois que mal acabou de proferir as anteriores palavras, da boca de Natalina começaram a jorrar, sim jorrar, uma catadupa de impropérios que me vou abster aqui de transcrever, porque penso que em virtude de uma tão vasta e expressiva manifestação do nosso “calão”,até mesmo homens moldados pela vida corariam certamente.
Como Natalina não mostrasse disposição para parar nos momentos mais imediatos, e diante do olhar de súplica de Diogo, optámos ambos por fazer uma saida estratégica, deixando Natalina a “recitar” algumas “pérolas” de uma linguagem que até ali eu lhe desconhecia, mas que fiquei com a certeza de passar a ter por “companheira” durante a minha estada em casa de Diogo.
Viraram costas para sair do quarto. Natalina continuava na sua amálgama de palavras de auto-piedade.
Enquanto desciam as escadas, um estrondo vindo do andar de cima. De onde vinha aquele enorme estrondo?
Subiram as escadas e quando entraram no quarto de Natalina, viram-na caída no chão...
Diogo encolheu os ombros e supirou.
De seguida e como que num desabafo disse:
- Isto assim não pode continuar. Vou mesmo ter de a internar, até porque em casa não lhe consigo prestar a assitência de que ela necessita.
Sabes Armando - continuou - tenho feito das tripas coração para conseguir manter esta situação, colocando-me sempre no lugar dela e tentando perceber a revolta que ela sente. De à algum tempo para cá, a minha mulher tem-se inclusivé mostrado algo distante, e a nossa relação está a entrar numa fase descendente, e isso de modo algum pode acontecer. Prezo demasiado o meu casamento, e sinto que dvo fazer algo, e que o devo fazer agora.
portanto amanhã mesmo começarei a indagar de por uma boa Casa de Repouso onde a Natalina possa ficar.
Dinheiro não constituirá de modo algum problema. Interessará acima de tudo o bem estar dela e a nossa estabilidade enquanto casal.
Dizendo isto, pediu a Armando que o auxiliasse de modo a recolocar Natalina no leito. Deu-lhe um beijo na face, e disse:
- Descansa.
Depois disso e sem mais palavras, sairam do quarto.
E que tal um passeio até à Ria? - perguntou Armando.
Boa ideia - afirmou Diogo. À volta passamos pela escola e trazemos a Sofia. Ela está ansiosa por te rever.
Sofia era professora de Educação Física. Armando só a tinha visto três vezes, mas ficou sempre com a impressão de que o seu amigo tinha feito um bom casamento.
Sairam e foram até à Ria Formosa....
O passeio foi a todos os títulos maravilhoso.
Ver todo aquele cenário e permanecer impávido, seria certamente a maior prova de insensibilidade que qualquer ser humano estaria capacitado para demonstrar.
Tudo era belo, e até os poucos pormenores que não despertavam a atenção ao primeiro olhar, se tornavam importantes pois que mesmo não possuindo uma beleza extrema ou sequer própria, se enquadravam de tal modo na paisagem, que seria de todo descabido conceber essa mesma aguarela paisagistica omitindo propositadamente ou não a sua presença.
Faziam parte do todo, e esse mesmo todo ficaria incompleto sem a sua existência.
À medida que caminhavam Diogo falava, falava, falava sem cessar explicando variadíssimas facetas e pormenores daquele ambiente que tão bem conhecia.
Era assim mesmo com tudo aquilo que gostava.
Sempre fora assim.
Na escola, no curso que decidira fazer, na mulher que encontrara para companheira, e nas paixões que preenchiam os seus (poucos) momentos de lazer.
Diogo era uma pessoa apaixonada pela vida.
Fora sem duvida essa sensibilidade que os tinha aproximado ainda muito jovens. As suas experiências pessoais detinham entre si um denominador comum que era a paixão por tudo aquilo que amavam.
Eram ambos pessoas que perseguiam os seus sonhos por muito utópicos que esses mesmos sonhos se apresentassem no presente. O futuro pertencia-lhes, e com ele a força necessária para lutar por aquilo que consideravam não só belo, mas sobretudo justo.
Pelo menos era assim que acreditavam poder ser. Certo que a vida tinha tomado a seu cargo a tarefa de ao longo dos anos ter destruído essa aura de beleza dourada que possuíam na sua juventude inocente, contudo detinham hoje como ontem a firme convicção de que somente haviam sido acidentes de percurso que em nada afectavam a sua visão imediata e muito menos o todo. Talvez que por isso mesmo ainda hoje, e mercê dos rumos distintos que as suas vidas haviam tomado, jamais a sua amizade saira afectada, não sendo raro que qualquer um deles a espaços sentisse necessidade de escutar a voz do amigo, sem prejuízo da normal troca de emails que mantinham diariamente.
Costumavam dizer em tom de brincadeira que viviam juntamente separados por perto de 300Kms. Não o sendo, eram efectivamente irmãos.
Ao cair da tarde regressaram a casa.
Armando aproveitou, e a pretexto de estar um pouco cansado com a viagem, retirou-se para o seu quarto. Chegado lá atirou-se para cima da cama, e permaneceu com o olhar fixo no tecto branco onde somente uma lâmpada balançava suspensa por um fio que outrora fora branco.
E assim ficou, horas a fio, sem dar conta do tempo passar!
E passaram-se minutos, horas, dias... despertou!
Afinal, foram apenas alguns minutos!
Acordou com uma forte dor aguda no peito. Arregalou os olhos e contorceu-se por causa da dor. Não sabia se era da alma se do corpo. "Ajuda-me Deus!" Rogou Armando.
Aquela prece proferida de modo involuntário, surpreendeu-o.
Não se considerava uma pessoa religiosa, embora mantivesse a sua fé.
Desde que se recordava de si como gente que acreditava em Deus. Não tinha o hábito de frequentar a igreja, mas não seria por esse facto que deixaria de acreditar ou até de ter menor importância aos olhos de Deus.
Mais a mais ainda era demasiado novo para essas coisas. A ideia de perder tempo enfiado numa qualquer igreja, não fazia muito o seu género.
Daqui a uns anos quando sua vida estivesse mais calma, e totalmente escalonada, já casado e com filhos e fosse detentor de um emprego bom e estável, avaliaria essa situação. Agora não tinha tempo para isso. Era novo demais e tinha a obrigação de gozar a vida na sua plenitude.
Pelo menos era o gostava de pensar. Mas a dor….
Levantou-se de repente e respirou profundamente, uma, duas, três … muitas vezes.
A dor insistia em continuar lá, não dolorosa, mas incomodativa. Aos poucos a situação ficou controlada e porque se começou a sentir melhor decidiu sair para ir dar uma volta, de modo a conseguir respirar um pouco de ar puro.
Os meus parabens, por um blog original.
Estou a ser profundamente sincero.
Agradeço a todos uma visita a :
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